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Com R$ 111, que pegou emprestado com o seu avô, o cearense José Pinheiro subiu num ônibus em direção ao Sudeste. O ano era 1997. Após três dias de viagem, o jovem desembarcou no Rio de Janeiro e foi morar na Rocinha com um tio. Após conseguir emprego na lanchonete Big Bi, em Copacabana, comprou um terreno na comunidade da Zona Sul. Para construir sua casa, Pinheiro teve uma ideia ousada: ir e voltar a pé do trabalho, agora na filial da loja no Flamengo, para economizar o dinheiro que gastaria com a passagem. Enquanto erguia o seu lar, Pinheiro acelerava o ritmo e via a sua paixão pela corrida crescer. O esforço se transformou em hábito prazeroso.
Com a orientação de um professor de educação física, que morava em cima da loja onde trabalha, Pinheiro começou a competir. “No começo meus parentes me chamavam de maluco. Agora sou admirado por eles”, diz o corredor, que tem em casa a maior incentivadora: a sua mulher.
Para não chegar atrasado no trabalho, Pinheiro sai de casa ainda de madrugada, às 4h, e percorre os 19 km em 70 minutos. E para não exigir demais da musculatura, ele faz o trajeto pedalando um dia e correndo no outro. Aos 37 anos, o atleta amador se prepara para disputar sua 10ª Maratona do Rio, que será realizada no próximo domingo, 29, a partir das 7h30. Serão quilômetros de prova, da Praça do Pontal do Tim Maia, no Recreio, passando pela orla, e com chegada no Aterro do Flamengo.
Apesar de já ter disputado diversas provas, como a Ultramaratona do Rio e a Volta Internacional da Pampulha (MG), Pinheiro ainda sente falta de uma competição. “Meu maior sonho é disputar a São Silvestre. Quando eu for, ficarei muito feliz”.

Fonte: http://oglobo.globo.com/